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Dia do Grafite: Capão Redondo ganha mural que reúne história da cultura da Zona Sul de São Paulo

Dia do Grafite: Capão Redondo ganha mural que reúne história da cultura da Zona Sul de São Paulo

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Crica Monteiro e Fany Lima são as artistas que assinam o trabalho que colore a lateral do prédio da Fábrica de Cultura

Nesta quarta-feira, 27 de março, é celebrado o Dia Internacional do Grafite, um dos elementos da cultura hip hop, responsável por imprimir identidade estética aos territórios periféricos. Por isso, o prédio da Fábrica de Cultura do Capão Redondo, no papel de um dos equipamentos culturais mais relevantes da Zona Sul da capital paulista, mais uma vez, será tela para um novo e importante mural gigante. O mural, que tem chamado a atenção e atraído os olhares dos que moram e passeiam ao redor, está criando forma na fachada do espaço como o ato final do Festival Tecnicamente Falando, evento que explorou tecnologias culturais criadas a partir da periferia. 

A convite da Fábrica, as artistas visuais Crica Monteiro e Fany Lima, foram desafiadas a representar o movimento cultural do território na tela gigante. “Antes de existirem as Fábricas de Cultura, no território “já existiam as fábricas de cultura”, que eram os saraus, os núcleos de hip hop, as batalhas, as capoeiras, os terreiros, enfim. E aí, a gente também entende isso como tecnologia. Tecnologia de sobrevivência, tecnologia de ancestralidade, tecnologia de conhecimento”, diz Fany Lima sobre o processo criativo do mural.

Grandes responsabilidades exigem grandes nomes, por isso, Crica e Fany foram escolhidas a dedo para realizar o mural. Grafiteiras há mais de 10 anos, carregam em suas artes questões como memória, identidade racial e imaginário periférico. Ambas afirmam ter forte conexão ao trabalharem juntas, por isso criaram a crew “Restrita”, composta somente pelas duas.

“Quando eu comecei a pintar, sempre teve muito esses grupos grandes, essas crews, que os homens geralmente se organizam para fazer murais. São obras complexas e eu sempre gostei muito disso. Eu sentia que, como mulher, queria me conectar com outras mulheres para fazer esse tipo de trabalho. A Fany e eu conseguimos ter a mesma sintonia”, afirma Crica. 

Além das duas, o grafiteiro Gamão, do coletivo Raxa Kuka, foi convidado para fazer a assistência desse trabalho. A obra é composta pela face desmembrada de uma mulher negra, facilitando a visão interior de sua cabeça. 

“A ideia era fazer coisas acontecendo dentro dessa personagem, então ali dentro da cabecinha dela tá acontecendo um sarau, trazendo referência a Cooperifa, aos saraus da quebrada. Aí ela tá ouvindo um som, que ali a gente vai trazer os nomes de alguns grupos de rap da quebrada, tem uma quebradinha do lado que a gente também vai trazer livros. Enfim, colocar esses pequenos elementos dentro do próprio trabalho, pensar tudo isso como tecnologia também. Nosso território como tecnologia”, explica Fany, destacando a importância da cultura local como uma forma de tecnologia.

O novo mural não é apenas um ato importante para o Dia Internacional do Grafite, mas também serve como um testemunho da resiliência, da criatividade e da rica herança cultural que caracteriza a Zona Sul de São Paulo. Por meio do trabalho de Crica Monteiro e Fany Lima, a história e o espírito vibrante desta comunidade são imortalizados em cores vivas e formas dinâmicas. Este é mais do que um mural, é uma aclamação à cultura, à identidade e à força da comunidade local.

Sobre as artistas

Crica Monteiro acaba de ser premiada pela Câmara Municipal de São Paulo, na categoria Graffiti no Prêmio Sabotage, que reconhece a importância do movimento hip hop no processo de inclusão social, musical e cultural e a sua inserção junto aos jovens na cidade. Com mais de 20 anos de atuação, ela é uma grafiteira plural, além de ilustradora e criadora de conteúdo. Se interessou pela Cultura Hip-Hop em 1999 e, a partir de então, começou a frequentar a Casa de Cultura de Santo Amaro. Hoje ministra oficinas, participa de eventos e é divulgadora do movimento, tendo fundado em 2012 o Graffiti Mulher Cultura de Rua, que promove a presença feminina no universo do Graffiti e do Hip-Hop.

Fany Lima é artista visual, grafiteira e arte educadora. Atualmente mora em Recife, no estado de Pernambuco, onde fomenta e movimenta o cenário do grafite. Começou a grafitar em 2013, após uma oficina de fotografia no núcleo de hip hop ZumaLuma, localizado no Jardim Santa Tereza, em Embu das Artes, município que residia em São Paulo. Foi uma das primeiras selecionadas pelo edital de Credenciamento para Realização de Intervenções Artísticas em Empenas Cegas, promovido pela Prefeitura do Recife, onde realizou a obra “Nossa Rainha já se Coroou”. 

Sobre a Fábrica de Cultura

Inaugurada em 2021, a Fábrica de Cultura do Capão Redondo marca um novo capítulo na história da cultura periférica da Zona Sul. O espaço conta com 17 salas, algumas com capacidade para 120 pessoas, biblioteca com equipamentos de acessibilidade e laboratório de pesquisa, além de um estúdio de gravação de áudio e laboratório audiovisual.

O equipamento faz parte do programa Fábricas de Cultura, realizado pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerenciado pela Poiesis, criadas com o objetivo de ampliar o conhecimento cultural por meio da interação com a comunidade.

Fábrica de Cultura de Capão Redondo

Endereço: Rua Bacia de São Francisco, s/n – Capão Redondo

Horário de funcionamento: Terça a sexta-feira, das 9h às 19h | Sábado das 9h às 17h e domingo conforme a programação

Additional Details

Autor - Beatriz Monteiro

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Data e horário

27-03-2024 to
27-03-2024

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